quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Jair Bolsonaro e as contradições do seu futuro governo


O presidente eleito Jair Bolsonaro, ao longo de toda a sua candidatura utilizou discursos de extremo nacionalismo e prometeu combater a corrupção se assumisse o cargo. Outro ponto determinante de sua campanha foram os discursos carregados de preconceito e misoginia. A dúvida que paira para o seu início de mandato em 2019 é se esse comportamento vai perdurar e se agora, como presidente, suas decisões pautadas em ideais imorais sejam absolvidas pelo governo.

Em suas primeiras decisões da transição presidencial, Bolsonaro já nomeou alguns ministros para compor seu governo e, muitos deles, são acusados por corrupção e após as indicações ganham foro privilegiado. O novo presidente, que prometeu “varrer a corrupção”, agora, se contradiz. E seu eleitorado, que parecia condenar, agora já soa menos agressivo e passa a aceitar com maior facilidade as decisões do novo gestor.

Outro ponto de mudança desde a sua candidatura até a vitória foi seu discurso. Durante a campanha foi possível observar uma mudança no seu tom e a forma com que fala das minorias, por exemplo. Antes, tratava com uma certa agressividade; hoje, já soa mais brando. Começou a justificar que seu governo seria inclusivo e, inclusive, nomeou uma mulher – a deputada federal Tereza Cristina – como ministra da agricultura. A decisão acabou por “assegurar” uma nova postura do futuro presidente e suavizar a imagem de que “o futuro presidente não gosta de mulheres”, mas na verdade só mascara a verdade que é um homem que nunca buscou representar a população de fato.

A misoginia de Bolsonaro vai além de incorporar mulheres em sua equipe de transição, mas sim por inúmeras falas do mesmo sobre o sexo feminino. O mesmo Bolsonaro que visa acabar com a obrigação do SUS de atender vítimas de estupro, que acha que mulheres devem ganhar menos, é o mesmo que faz as indicações e, infelizmente, através destas composições de governo, são absolvidos os discursos ruins por boa parte da população só por se mostrar inclusivo. O governo, que mal começou, já se mostra completamente contraditório.