O presidente eleito Jair Bolsonaro, ao longo de toda a sua
candidatura utilizou discursos de extremo nacionalismo e prometeu combater a
corrupção se assumisse o cargo. Outro ponto determinante de sua campanha foram
os discursos carregados de preconceito e misoginia. A dúvida que paira para o
seu início de mandato em 2019 é se esse comportamento vai perdurar e se agora,
como presidente, suas decisões pautadas em ideais imorais sejam absolvidas pelo
governo.
Em suas primeiras decisões da transição presidencial, Bolsonaro
já nomeou alguns ministros para compor seu governo e, muitos deles, são
acusados por corrupção e após as indicações ganham foro privilegiado. O novo presidente,
que prometeu “varrer a corrupção”, agora, se contradiz. E seu eleitorado, que
parecia condenar, agora já soa menos agressivo e passa a aceitar com maior
facilidade as decisões do novo gestor.
Outro ponto de mudança desde a sua candidatura até a vitória
foi seu discurso. Durante a campanha foi possível observar uma mudança no seu
tom e a forma com que fala das minorias, por exemplo. Antes, tratava com uma certa
agressividade; hoje, já soa mais brando. Começou a justificar que seu governo
seria inclusivo e, inclusive, nomeou uma mulher – a deputada federal Tereza
Cristina – como ministra da agricultura. A decisão acabou por “assegurar” uma
nova postura do futuro presidente e suavizar a imagem de que “o futuro
presidente não gosta de mulheres”, mas na verdade só mascara a verdade que é um
homem que nunca buscou representar a população de fato.
A misoginia de Bolsonaro vai além de incorporar mulheres em
sua equipe de transição, mas sim por inúmeras falas do mesmo sobre o sexo
feminino. O mesmo Bolsonaro que visa acabar com a obrigação do SUS de atender
vítimas de estupro, que acha que mulheres devem ganhar menos, é o mesmo que faz
as indicações e, infelizmente, através destas composições de governo, são
absolvidos os discursos ruins por boa parte da população só por se mostrar
inclusivo. O governo, que mal começou, já se mostra completamente
contraditório.