quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A deriva em um mar de incertezas


Desde antes do início da corrida eleitoral, percebeu-se que esse pleito seria peculiar, diferente de todos os outros desde a redemocratização, talvez com alguma semelhança com a primeira eleição direta para presidente, em 1989.

Naquele ano, Collor se apresentava como um Outsider, que livraria o Brasil de uma “ameaça vermelha” e iria modernizar leis, relações de trabalho com uma frase simplória, mais extremamente populista “vamos mudar tudo que está ai”, e assim ganhou o pleito de um candidato petista, Lula em 89 e Haddad em 2018.

No caso mais recente, Bolsonaro se apresentava também como um Outsider, entretanto, Jair, o “Messias”, é um parlamentar que a mais de três décadas está em Brasília, sem apresentar nenhum projeto relevante, e na maioria das vezes, votando a favor de leis impopulares, como por exemplo, se posicionou contrário a “PEC das domésticas”.
O ex militar se manteve no poder e carregou consigo uma legião de seguidores através de frase prontas e, na maioria das vezes de cunho discriminatório, contra a comunidade LGBT, contra negros, mulheres, e até mesmo disse que o Brasil é um país cristão e que as minorias devem ser eliminadas, aliado a isso um discurso forte de combate à criminalidade e a corrupção.

Foi justamente o discurso anticorrupção e uma vaga promessa de diminuição da bandidagem, que o alçaram como principal candidato ao Planalto, principalmente após a prisão do ex presidente Luís Inácio Lula da Silva, sentenciado pelo juiz Sérgio Moro, que agora foi convidado por Bolsonaro para ser ministro, coincidência não?
Entre setembro e outubro um movimento ganhou força: “Mulheres contra Bolsonaro” arrastou multidões em todas as regiões do Brasil, numa clara resposta a falas machistas e misóginas do agora presidente eleito, como quando afirmou que as mulheres deveriam ganhar menos pois engravidam, ou quando afirmou que a filha mulher dele foi uma “fraquejada”.

Mas será que o discurso anticorrupção, e a promessa de não haver indicação política para os ministérios, será cumprida? O DEM é o partido com mais indicações até o momento, deixando claro que deve haver uma composição com o antigo PFL, aliado a isso alguns nomes fazem cair por terra o discurso anticorrupção, como por exemplo o do futuro ministro da saúde, Henrique Mandetta, acusado de caixa 2 e fraude em licitação. Além dele a única mulher da equipe até o momento, Tereza Cristina, que ocupará a pasta da agricultura, é ré por dar incentivos que beneficiaram a JBS, Onyx Lorenzoni, da casa civil também é investigado por caixa 2, além do “Posto Ipiranga” de Bolsonaro, Paulo Guedes que figura em uma investigação por supostas irregularidades em fundos de pensão. Portanto, o discurso anticorrupção de Jair, é muito seletivo, depende de quem pratica a corrupção, e de qual partido ele pertence.

A representação feminina, por enquanto, apenas uma mulher, mostrando que essa representatividade será mínima, e que o governo terá corruptos e poucas mulheres na sua base.

E o futuro? Estamos sem perspectivas, literalmente a deriva.


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