Desde antes do início da
corrida eleitoral, percebeu-se que esse pleito seria peculiar, diferente de
todos os outros desde a redemocratização, talvez com alguma semelhança com a
primeira eleição direta para presidente, em 1989.
Naquele ano, Collor se
apresentava como um Outsider, que
livraria o Brasil de uma “ameaça vermelha” e iria modernizar leis, relações de
trabalho com uma frase simplória, mais extremamente populista “vamos mudar tudo
que está ai”, e assim ganhou o pleito de um candidato petista, Lula em 89 e
Haddad em 2018.
No caso mais recente,
Bolsonaro se apresentava também como um Outsider,
entretanto, Jair, o “Messias”, é um parlamentar que a mais de três décadas está
em Brasília, sem apresentar nenhum projeto relevante, e na maioria das vezes,
votando a favor de leis impopulares, como por exemplo, se posicionou contrário
a “PEC das domésticas”.
O ex militar se manteve no
poder e carregou consigo uma legião de seguidores através de frase prontas e, na maioria das vezes de cunho discriminatório, contra a comunidade LGBT, contra
negros, mulheres, e até mesmo disse que o Brasil é um país cristão e que as
minorias devem ser eliminadas, aliado a isso um discurso forte de combate à
criminalidade e a corrupção.
Foi justamente o discurso anticorrupção
e uma vaga promessa de diminuição da bandidagem, que o alçaram como principal
candidato ao Planalto, principalmente após a prisão do ex presidente Luís
Inácio Lula da Silva, sentenciado pelo juiz Sérgio Moro, que agora foi
convidado por Bolsonaro para ser ministro, coincidência não?
Entre setembro e outubro um
movimento ganhou força: “Mulheres contra Bolsonaro” arrastou multidões em todas
as regiões do Brasil, numa clara resposta a falas machistas e misóginas do
agora presidente eleito, como quando afirmou que as mulheres deveriam ganhar
menos pois engravidam, ou quando afirmou que a filha mulher dele foi uma “fraquejada”.
Mas será que o discurso
anticorrupção, e a promessa de não haver indicação política para os
ministérios, será cumprida? O DEM é o partido com mais indicações até o
momento, deixando claro que deve haver uma composição com o antigo PFL, aliado
a isso alguns nomes fazem cair por terra o discurso anticorrupção, como por
exemplo o do futuro ministro da saúde, Henrique Mandetta, acusado de caixa 2 e
fraude em licitação. Além dele a única mulher da equipe até o momento, Tereza
Cristina, que ocupará a pasta da agricultura, é ré por dar incentivos que
beneficiaram a JBS, Onyx Lorenzoni, da casa civil também é investigado por
caixa 2, além do “Posto Ipiranga” de Bolsonaro, Paulo Guedes que figura em uma investigação por supostas irregularidades em fundos de pensão. Portanto, o
discurso anticorrupção de Jair, é muito seletivo, depende de quem pratica a
corrupção, e de qual partido ele pertence.
A representação feminina, por
enquanto, apenas uma mulher, mostrando que essa representatividade será mínima,
e que o governo terá corruptos e poucas mulheres na sua base.
E o futuro? Estamos sem
perspectivas, literalmente a deriva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.