A eleição de 2018 pode ser considerada a eleição mais importante após a redemocratização do país. Depois de mais de três décadas, o Brasil teve a eleição mais polarizada da história. O país ficou dividido em dois lados: o anti-petismo e o anti-fascismo.
O sentimento de anti-petismo explodiu após as eleições de 2014, quando Dilma Rousseff foi eleita. Com isso, a população que em grande parte já estava insatisfeita com o governo de 12 anos de PT começou a expor esse sentimento. Houve passeata, manifestações e protesto que foram enfraquecendo o governo. Isso tudo aliado aos escândalos de corrupção resultaram no impeachment da presidenta.
O então candidato à presidência, Jair Bolsonaro, foi o candidato escolhido para contrapor ao PT nas eleições. Por outro lado, trouxe consigo algumas características que remetem ao fascismo: nacionalismo exacerbado, militarismo, obsessão por segurança e desprezo pelos direitos humanos. Com isso, gerou em uma boa parte da população o sentimento de anti-fascismo.
Dessa forma, diante desses dois candidatos, o 2º turno foi entre os eleitores que não queriam votar no PT e os eleitores que não queriam votar no “candidato fascista”. No domingo, dia 28 de outubro, em uma eleição ainda democrática, o país elegeu Jair Bolsonaro como presidente da República, que assumirá o mandato em Janeiro de 2019.
Num país de 147 milhões de eleitores, o futuro presidente foi eleito com apenas 57 milhões de votos, o que corresponde a 39%; e o candidato do PT somou 46 milhões de votos, cerca de 31%. Isso significa que 61% da população não votou e/ou não aprovou o presidente eleito. Alguns se silenciaram, outros lavaram as mãos… mas muitos se opuseram ao candidato. E esses continuarão a oposição nas ruas. Esses serão a resistência.