A violência contra mulheres apresenta dados alarmantes no Brasil, reforçando a importância no combate de todas as formas de agressão, seja física, psicológica, moral ou sexual. É preciso entender os aspectos que giram em torno da violência para evitar que os caos evoluam para uma fatalidade.
O assassinato de mulheres motivado por uma questão de gênero, pela condição de “ser mulher”, é denominado feminicídio. O Instituto Patrícia Galvão organizou um dossiê, no qual desenvolve junto a especialistas o que é esse crime, como e porque as mulheres morrem vítimas dele, caracterizado como hediondo pela lei brasileira.
De acordo com uma pesquisa do Datafolha divulgada em 2017, 503 mulheres sofrem agressão física a cada hora, em 61% dos casos os agressores eram conhecidos e apenas 11% das mulheres procuraram a Delegacia da Mulher. O baixo número de denúncias pode ser explicado pelo medo de sofrerem outras agressões.
A socióloga e professora de saúde coletiva da Universidade Federal São Paulo Eleonora Menicucci, uma das especialistas consultadas no dossiê, afirma que o feminicídio "faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie."
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é assassinada a cada 2 horas no Brasil, fazendo com que o país ocupe o quinto lugar no ranking de países que mais mata mulheres no mundo. O feminicídio é o último estágio de uma série de agressões. Por conta disso, pode ser prevenido por meio do pleno exercício da Lei Maria da Penha, que garante medidas protetivas para as vítimas.
O papel da mídia na correta divulgação de casos de feminicídio é de extrema importância. Apesar de também ser cometido por desconhecidos, na maioria das vezes, os assassinos são pessoas que mantinham algum tipo de relacionamento com a vítima, por isso as mortes não podem ser tratadas como crimes passionais pela imprensa. Ciúmes não pode ser considerado a causa dos assassinatos e expressões como "perdeu a cabeça" e "estava fora de si" de alguma maneira retira a culpa dos agressores e a transfere para a mulher. A prática da violência contra a mulher envolve questões misóginas como o sentimento de posse e controle sobre o corpo da mulher.