quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A polarização política

   A eleição 2018 está marcada pela polarização, principalmente na disputa presidencial. De um lado os anti-petistas, do outro o anti-fascismo. Por conta desses extremos políticos é possível perceber que essa é a eleição mais simbólica desde a redemocratização do país. Em comparação a eleições anteriores, a escolha do voto sofreu uma mudança. Muitas vezes o voto é dado “contra” um do que de fato dando “apoio” ao outro. 

   Segundo o texto de Lilian Venturini, para o Jornal Nexo, é possível identificar três tipos de votos nessas eleições: voto convicto, voto útil e o voto de protesto. O voto convicto é aquele em que o eleitor escolhe seu candidato por afinidades ideológicas. O voto útil acontece quando eleitor escolhe o seu candidato a partir de uma estratégia, pensando no possível 2º turno e/ou no resultado final da eleição. Já o voto de protesto é sempre motivado pela raiva e descrença, podem ser brancos, nulos, ou em qualquer candidato que expresse esse sentimento. 

   Com as definições das categorias de votos e a consciência da polarização política, é possível perceber o quanto isso se encaixa na eleição atual. Durante o 1º turno, o voto de protesto acontece por conta do sentimento de anti-petismo que surgiu no país, e é externalizado no candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Por outro lado, no 2° turno, o voto de protesto também acontece, e por conta do anti-fascismo, representado por Bolsonaro, esse protesto é expressado no candidato do PT, Fernando Haddad. 

   Devido ao grande acesso a tecnologia, e a linha tênue entre vida pública e privada, cada vez mais o voto deixa de ser secreto e passa a ser uma forma de manifestação. Na rede social, Facebook, é possível ver nitidamente a manifestação de voto de cada usuário. Nessas eleições houve um grande manifesto de opinião por meio das hashtags criadas: #EleNão e #PTNão. As tags aderiram as fotos de perfil dos usuários, deixando assim, cada vez mais polarizada a rede social. 

   A #EleNão surgiu nas vésperas de um ato liderado pelas mulheres a favor da democracia e contra o Bolsonaro. A manifestação feminina teve seu início sem identificação partidária e começou com um grupo no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que hoje reúne quase 4 milhões de usuárias, e se estendeu pelas ruas do Brasil, em cidades como: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. Após a mobilização das mulheres foi feita uma pesquisa e cerca de 55% das mulheres não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. 

   Na era da internet e da disseminação instantânea da notícia, os protestos e manifestações contra qualquer candidato e/ou partido pode influenciar uma eleição. Com um click é fácil alcance de milhares de pessoas na rede social, e dessa forma, é possível difundir a ideia e influenciar outras pessoas.