quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O governo Bolsonaro

No último domingo (28), os eleitores brasileiros foram às urnas para escolher o próximo presidente do Brasil no segundo turno das eleições. Depois de uma campanha conturbada, marcada por inúmeras notícias falsas e um ataque à faca, o candidato Jair Bolsonaro foi eleito com 55,1% dos votos válidos, apesar das propostas e discursos polêmicos. 

O novo presidente do Brasil terá muitos desafios ao longo dos quatro anos em que estará no cargo. Mesmo antes de Bolsonaro assumir, relatos de seus seguidores propagando discurso de ódio tomam conta das redes sociais. O vídeo mais recente sobre o assunto foi divulgado no começo dessa semana, um homem gravou um vídeo enquanto dirigia e fazia ameaças de morte. Após ser identificado, foi demitido e suspenso da universidade em que cursava Direito. É importante que o presidente eleito se pronuncie sobre as ameaças e os casos de violência (como a morte do mestre de capoeira na Bahia, Moa do Katendê, comprovadamente motivada por questões políticas), para além de “não tenho controle sobre milhões de pessoas que me apoiam.” 

Algumas propostas do plano de governo do presidente eleito são preocupantes e devem ser revisadas. Transferir o ensino fundamental para plataformas de ensino a distância para combater o “marxismo” exclui uma das principais funções da escola na formação das crianças, aprender a conviver e se relacionar com outras pessoas fora da família. A segurança pública deve ser estudada com cautela e a proposta da revogação do Estatuto do Desarmamento precisa ser revista.

Três dias após sua eleição, Bolsonaro anunciou a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e a criação do novo ministério da Economia com a união das pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Nomeou Alberto Fraga, condenado por pedir propina a cooperativas de transporte, apesar de dizer ser "contra a corrupção".

Mesmo com a divulgação de seus discursos machistas, racistas e preconceituosos, o candidato do PSL foi eleito e precisará governar para todos, incluindo os grupos da população que ofendeu. Movimentos de oposição já estão sendo formados e Bolsonaro terá que dialogar com todos os grupos e suas reivindicações.