quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Feminicídio: uma ameaça social



  A nomenclatura “feminicídio” representa um avanço na forma de tratar o problema que assola o país. O assassinato de mulheres, motivado pelo machismo e desigualdade de gênero, é fomentado pelo ódio. No período colonial, o Brasil manteve um conjunto de leis que permitiam a punição de mulheres adúlteras. Hoje, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o Brasil é o 5º país com mais mortes violentas do sexo feminino.

  Em 2016, o Mapa da Violência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostrou que uma mulher foi assassinada a cada duas horas no país. As estatísticas assustadoras mostram uma realidade sexista e violenta. E o maior questionamento é: como combater esse mal que assola o país desde seus primórdios?

  Ainda que a taxa de mortes do sexo masculino sejam maiores – por racismo, pobreza, envolvimento com crimes -, é preciso conscientizar toda a população de que muitas mulheres morrem apenas por serem mulheres e reconhecer que são casos pontuais e frequentes. A maior parte dos crimes acontece pelas mãos de companheiros, alguém próximo a família, um amigo etc, então é importante que se entenda que nenhuma mulher está isenta da possibilidade de passar por isso.

  É importante também que os profissionais estejam bem preparados para atender este tipo de caso. Muitas mulheres não fazem denúncias, porque sentem vergonha, medo de serem mal vistas, de serem desacreditadas por pessoas próximas e autoridades, ou até mesmo de perderem a sua família. Um dos fatores que desmotivam as mulheres é a frequente dúvida e despreparo de policiais ao fazerem os registros de ocorrência, pois em muitos casos colocam em dúvida a veracidade da denúncia. É preciso que se humanize o atendimento, para que a mulher se sinta amparada e fortificada.

  A educação é a base de tudo e nesse caso não poderia ser diferente. A conscientização na formação dos cidadãos é de extrema importância; mostrar que o machismo é prejudicial não só nas escolas, mas dentro de casa, e criar jovens com noção de mundo e de sociedade bem formadas e sem misoginia. Acompanhado a isso, campanhas de apoio popular e a criação de políticas públicas que auxiliem as mulheres.

  A mídia tem grande influência sobre a sociedade, portanto é imprescindível que não naturalizem os atos e tratem o tema com responsabilidade.  A imprensa pode e muitas vezes ajuda a reproduzir discursos violentos – através de culpabilização da vítima e uso de termos impróprios. Contribuir para que o feminicídio acabe é papel de toda a população que, quando unida e consciente, pode fazer a diferença.


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