A nomenclatura
“feminicídio” representa um avanço na forma de tratar o problema que assola o
país. O assassinato de mulheres, motivado pelo machismo e desigualdade de
gênero, é fomentado pelo ódio. No período colonial, o Brasil manteve um
conjunto de leis que permitiam a punição de mulheres adúlteras. Hoje, segundo o
Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o Brasil é o 5º
país com mais mortes violentas do sexo feminino.
Em 2016, o Mapa da
Violência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostrou que uma mulher foi
assassinada a cada duas horas no país. As estatísticas assustadoras mostram uma
realidade sexista e violenta. E o maior questionamento é: como combater esse
mal que assola o país desde seus primórdios?
Ainda que a taxa de
mortes do sexo masculino sejam maiores – por racismo, pobreza, envolvimento com
crimes -, é preciso conscientizar toda a população de que muitas mulheres
morrem apenas por serem mulheres e reconhecer que são casos pontuais e frequentes. A maior parte
dos crimes acontece pelas mãos de companheiros, alguém próximo a família, um
amigo etc, então é importante que se entenda que nenhuma mulher está isenta da
possibilidade de passar por isso.
É importante também
que os profissionais estejam bem preparados para atender este tipo de caso.
Muitas mulheres não fazem denúncias, porque sentem vergonha, medo de serem mal vistas, de serem desacreditadas
por pessoas próximas e autoridades, ou até mesmo de perderem a sua família. Um
dos fatores que desmotivam as mulheres é a frequente dúvida e despreparo de
policiais ao fazerem os registros de ocorrência, pois em muitos casos colocam
em dúvida a veracidade da denúncia. É preciso que se humanize o atendimento,
para que a mulher se sinta amparada e fortificada.
A educação é a base
de tudo e nesse caso não poderia ser diferente. A conscientização na formação
dos cidadãos é de extrema importância; mostrar que o machismo é prejudicial não
só nas escolas, mas dentro de casa, e criar jovens com noção de mundo e de
sociedade bem formadas e sem misoginia. Acompanhado a isso, campanhas de apoio
popular e a criação de políticas públicas que auxiliem as mulheres.
A mídia tem grande
influência sobre a sociedade, portanto é imprescindível que não naturalizem os
atos e tratem o tema com responsabilidade.
A imprensa pode e muitas vezes ajuda a reproduzir discursos violentos –
através de culpabilização da vítima e uso de termos impróprios. Contribuir para
que o feminicídio acabe é papel de toda a população que, quando unida e
consciente, pode fazer a diferença.
Fontes: Agência Patricia Galvão;
Revista Exame; BBC.
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